Projetos funcionais: arquitetura além da beleza
Mais do que criar ambientes visualmente bonitos, um bom projeto de interiores precisa transformar a forma como as pessoas vivem e se relacionam com os espaços. Funcionalidade, conforto, estética e escolhas conscientes caminham juntos para criar soluções duradouras e personalizadas. Nesta entrevista, conversamos com a arquiteta Isabella torres sobre os desafios e as decisões que fazem a diferença na construção de ambientes que unem beleza, praticidade e propósito.
O que define um projeto de interiores verdadeiramente funcional?
Planejamento e reflexão. Tudo o que colocamos em um projeto precisa ter um motivo. O cliente precisa ter todas as informações para tomar as melhores decisões, afinal, é ele quem vai vivenciar aquele espaço, ou, no caso de um ambiente comercial, são os clientes dele que irão vivenciá-lo.
Um projeto verdadeiramente funcional precisa refletir as necessidades de cada uso, a rotina de quem utilizará o espaço e até mesmo a escolha dos materiais, que também influencia diretamente na funcionalidade e na durabilidade do ambiente.
Na sua experiência, quais são os erros mais comuns que as pessoas cometem ao decorar ou reformar um ambiente?
Um dos erros mais comuns é começar pelas definições micro sem antes entender o plano geral do espaço.
Costumo dizer que um projeto é como uma orquestra. Um instrumento sozinho pode funcionar muito bem, mas é quando ele se conecta aos instrumentos complementares que criamos uma sinfonia.
Da mesma forma, cada ambiente e cada detalhe precisam funcionar individualmente, mas também precisam conversar com o todo. Primeiro entendemos a funcionalidade e o panorama geral do espaço, para então chegarmos aos detalhes. Eles, sim, fazem toda a diferença, mas é o conjunto que faz o projeto funcionar.
Quais fatores devem ser considerados antes da escolha de revestimentos, pisos e acabamentos?
Acima de tudo, é preciso considerar a particularidade de cada espaço e o que ele precisa atender quanto às prioridades do cliente, sejam elas facilidade de manutenção, estética, durabilidade ou uma solução mais rápida ou duradoura.
A partir dessas necessidades, direcionamos o cliente para as opções que melhor se adequam à situação, para que ele possa tomar uma decisão consciente e bem orientada.
Também considero muito importante contar com uma equipe de especificação capacitada, que avalie fatores como o tamanho das peças, a quantidade de recortes e a resistência dos materiais. Tudo isso influencia diretamente no resultado final e também no custo da obra.
Quais materiais e acabamentos você considera mais versáteis para projetos residenciais?
Sempre trabalho com uma base neutra e deixo o destaque para itens pontuais, como a marcenaria ou um revestimento com mais detalhes aplicado em um lugar pontual.
Gosto de seguir com o mesmo piso em toda a casa e, muitas vezes, também levá-lo para as paredes. Quanto menos informação visual, mais sofisticadas ficam as soluções e, ao mesmo tempo, mais versáteis, permitindo que o cliente altere itens mais simples no futuro sem comprometer a composição.
O que um cliente deve priorizar quando possui um orçamento limitado?
Planejamento e projeto. Quando o orçamento é limitado, é ainda mais importante saber onde investir.
Eu priorizaria aquilo que é mais difícil e caro de alterar depois: infraestrutura, revestimentos e bancadas e a marcenaria essencial, como armários de cozinha.
Depois podemos trabalhar elementos decorativos e acabamentos que tenham maior facilidade de substituição. O importante é não tentar economizar justamente naquilo que pode gerar retrabalho ou comprometer a funcionalidade da casa.
Você acredita que investir em um bom projeto de interiores gera economia durante a obra? De que forma?
Com certeza. Um bom projeto permite prever decisões antes de elas chegarem à obra, reduz improvisos, compras erradas e retrabalho. Quem nunca teve a experiência de ter um projeto bem elaborado, o enxerga como um custo, mas eu gosto de vê-lo como uma ferramenta de planejamento e, consequentemente, de economia. O projeto é como uma viagem: você sabe onde começa, quais caminhos precisa seguir e onde quer chegar. Sem ele, a obra pode até acontecer, mas você nunca tem clareza de quando realmente chegou ao destino que desejava.
Que papel os revestimentos têm na criação de ambientes mais aconchegantes, duráveis e funcionais?
Os revestimentos têm um papel enorme porque, além de protegerem as superfícies, ajudam a construir a identidade do ambiente.
Texturas, cores, formatos e paginações podem trazer sensação de aconchego, amplitude ou sofisticação. Mas é importante que essa escolha esteja associada à função do espaço. Um material pode ser lindo, mas se não for adequado para aquele uso, vai deixar de funcionar no longo prazo.
Para finalizar, quais três dicas você daria para quem deseja transformar a casa em um ambiente mais bonito, funcional e atemporal?
Primeiro: no momento da escolha, procure uma arquiteta com quem você sinta confiança e liberdade para transmitir o que deseja para o seu espaço. Não pode haver barreiras na comunicação em uma definição tão importante quanto o projeto.
Segundo: pense na sua rotina e priorize o seu bem-estar, não apenas a estética. O espaço precisa funcionar para quem vai vivenciá-lo todos os dias.
Terceiro: invista em uma boa base, com revestimentos duráveis, materiais de qualidade e mão de obra qualificada. Deixe as tendências para elementos mais fáceis de substituir, assim o projeto continua atual por mais tempo.
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